New years resolutions

Ainda no outro dia (tipo há pouco mais de 24h) a Catarina do blog The extra in the ordinary falava em resoluções de ano que acabam por não ser cumpridas e sugere um exercicio bastante interessante acerca do assunto.

Curiosamente esse post veio na mesma altura em que pensava nas minhas resoluções de ano novo que faço todos os anos e cujos items acabo por nunca cumprir (every one of them!)

Bom… todos os anos, à exepção deste. Este ano não fiz uma lista de resoluções e só dei por isso quando equacionei tentar o exercicio. É que eu publicava essa lista no meu antigo blog (e no blog antes desse e no blog antes desse e no blog antes desse… sim sim… já tive muitas moradas) e não sei se por ter coincidido com o facto de estar a mudar de blog ou se porque simplesmente me fartei,  a verdade é que não fiz uma lista de resoluções.

Falando verdade… estou um pouco enfadada de fazer listas e mais listas e nunca cumprir com nada do que escrevo. Acreditam que até listas semanais me dou ao trabalho de fazer? Adivinhem quantos desses items eu risco… De vez em quando um ou dois… mas nunca a lista completa!

Quando as pessoas se queixam que têm dificuldade em alcançar determinados patamares da vida, ou estados de consciência, oiço tantas vezes respostas como “Isso é falta de força de vontade!” ou “Parvoeira tua, põe-te mazé a mexer!” e se por um lado percebo as respostas, por outro sei exactamente como se sentem os que se queixam.

Isto porque estupidamente queixo-me. Queixo-me com frequência. E se há dias em que consigo levantar-me e ter o mood ideal para “me pôr a mexer” a verdade é que rapidamente volto ao estado obscuro do “quero que tudo se foda!”.

Ontem a caminho do trabalho desabafava com uma amiga:
“É verdade que somos aquilo que comemos… Estive uma série de dias (3 semanas?) a fazer uma vida saudável, levantava-me cedo. Corria. Bebia água morna com limão. Tomava banho. Preparava o pequeno almoço e o almoço. Preparava as coisas e depois de comer ia para Lisboa trabalhar na tese. Depois de almoço trabalhava mais um pouco e vinha para casa. Preparava as coisas e ia trabalhar nas escolas. Jantava. Dormia e repetia tudo no dia a seguir. Nesses dias tinha energia, força de vontade, alegria. Acreditava que ia ser capaz de fazer tudo a que me propusesse. A semana passada caguei. Não acordei cedo, não corri, comi tudo o que podia e não podia. Senti-me mal. Doente sem o estar. Catatónica. Farta de tudo…”
Ao que ela me responde: “Não achas que estás deprimida?”.

Deprimida. De quê? Tenho 31 quase 32 anos.Trabalho poucas horas por dia num horário que me proibe de participar em eventos que me interessariam bastante (palestras, workshops, cursos, concertos, teatros etc etc etc). Fui dispensada de um dos locais de trabalho e querem-me despachar de um outro (apenas ainda não conseguiram fazê-lo). As miúdas com quem trabalho num 3º sitio são tão arrogantes que só me dá vontade de cortar os pulsos e o 4º sitio está com muito poucos alunos (e eu estou a receber menos de metade do que recebia quando lá entrei). Vivo em casa dos meus pais porque não consigo ser independente financeiramente para poder sair de casa. Não tenho um companheiro nem perspectivas de um (sim sim, quem precisa de homens right? mas isto de se ser mulher tem muito que se lhe diga e a porcaria do relógio biológico não pára, esse malandro.)

Deprimida eu? Não. Apenas descontente com o rumo com que pus a minha vida a andar. Penso muitas vezes em que escolhas poderia ter eu feito para ter uma vida diferente. Penso que se calhar se não tivesse feito escola, natação, ginástica, catequese e música, poderia ter tido uma vida muito diferente. Mas não garantidamente melhor. Nunca se sabe certo? Os “e ses” são apenas sugestões existenciais.

Desde sexta que tenho estado a dizer para mim. Amanhã voltas ao que estavas a fazer. Deus me livre de subir para a balança e ver o quanto me desgracei nestas 2 semanas (tenho uma pequena noção pelo facto de as únicas calças de ganga que tenho me terem custado um horror a abotoar e por neste momento estar sentada com uma barriga nojenta a saltar por cima delas blharc!). Hoje de manhã pus 5 despertadores. Acordei no último. Voltei a ficar na cama. Voltei a não correr, voltei a não ir para Lisboa trabalhar na tese. Acabei de comer chocolate. Acho que isto diz muito do meu estado de espírito hoje…

Eu não quero ser esta pessoa. Mas o caminho para me transformar em quem eu quero ser não é fácil. Por isso da próxima vez que alguém se queixar da porcaria de vida que leva, não a levem a mal, não a critiquem num mau sentido. Apenas tentem compreender. E sim, se for preciso façam-lhe um reality check…Tipo… A quem me conhece: podes dar-me dois chapadões a ver se realmente “acordo para a vidinha” e mudo de vez o meu discurso!

Blessed Be!

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About Aislin

32. Music teacher. Acrobatic lover. Vegan. Love to cook. Love animals. Trying to live a full, meaningfull and happy life!
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3 Responses to New years resolutions

  1. Cláudia says:

    Não penses no que deverias ter feito diferente. Está feito.
    Pensa é no actualmente. O que poderás mudar?

    Custa-te acordar cedo, vai correr mais tarde.
    Se não tiveres doces e chocolates em casa, não os vais comer nem sentir se calhar tanta necessidade de os consumir.

    Eu percebo perfeitamente o que queres dizer com os planos todos furados. Eu com esta idade já me imaginava com uma carreira e a minha casa. Nada aconteceu. Se calhar tenho um curso da treta que não me serve para nada e carreira não tenho. Em casa dos pais estou.
    Isso é “mau” mas tem algo de positivo por de trás, de certeza. Claro que tem.
    Não tenho “contas para pagar” logo tenho a possibilidade de arriscar mais!

    Mas só assim uma apontamento, tu não és gorda! E és bonita!
    Ok, não te sentes bem com o teu corpo. Somos mulheres, nunca estamos satisfeitas.

    Tenta agarrar-te mesmo às coisas que tens de bom na tua vida.

    Não quer dizer que sirva de algo, mas eu tenho lá no blog já dois post (esta semana saí o terceiro) acerca dos curriculuns. Estive numa formação e tentei transmitir a ideia deles. Dá uma vista de olhos.
    O problema poderás não ser tu (os estudos, as experiências profissionais) mas sim o teu curriculum que não transmite bem quem tu és.

    Qualquer coisa sabes o meu número e desabafa sempre que precisares. Também estiveste lá quando precisei.
    Beijocas grandes e força!

  2. Patrícia says:

    Oh miuda não gosto nada de te “ler” assim. É uma mulher inteligente, bonita por fora e por dentro, das mais generosas que já conheci e é uma sorte teres entrado na minha vida! Não penses no “E se…” mas faz acontecer!! Aquela frase batida “Be the change you want to see in the world” é mesmo verdadeira, se nao mudarmos nós, como iremos ter a mudança à nossa volta? (Mas eu percebo-te, levantar cedo para ir correr com este frio é tramado, desde o Verão que não ponho os meus pézinhos a trabalhar!) Jtiveste a prova de que te sentes bem quando fazes pequenas coisas por ti, é agarrares isso. Resolução para 2015: fazer coisas que me fazem sentir bem e feliz. Devia ser a tua. Vou fazer dela também a minha 🙂

    (A minha prof de yoga diz-nos que mudar a rotina em 180º nunca resulta, há que implementar coisas aos poucos até que se tornem tão banais como tomar banho e escovar os dentes e então depois juntar mais uma novidade à nossa vida. E é verdade, isso das listas que falas sou tão eu e nunca faço metade…mas tenho posto em pratica esta do “uma voisa de cada vez” e acredita, resulta.. 😉 )

    Grande beijinho***

  3. Pingback: Resoluções de … | Vazio de Conteúdo

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